quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Nossa santificação

Dentre vários ensinos equivocados que ouço diariamente, hoje ouvi um desses pregadores que aparecem na televisão – quase sempre triunfalistas, moralistas, donos da verdade e esbanjando ostentação. O tema era sobre a nossa santificação. No discurso, dizia que no decorrer da vida cristã, ele mortificou os feitos da carne. Isso era a forma de santificar-se. Entre algumas vitórias sobre a carne e, portanto, sucesso em sua santificação, mudou o linguajar e assumiu uma abstenção absoluta às coisas do “mundo”. Ele afirmou que quando era perdido e do “mundo” usava palavras como “bicho”, “cara”, etc. Mas, como nova criatura não poderia usar tais expressões feias e "mundanas". Outro passo rumo à santificação foi parar de ouvir samba, rock, MPB e outras músicas “mundanas”. O tom era de alguém que em obediência a Deus e movido pelo espírito chegara a uma dimensão de santificação satisfatória, apesar de afirmar que era igual a todos os seus ouvintes. Agora me pergunto: santificação é isso? Parando de usar expressões como “cara” ou não mais ouvindo um bom samba, uma MPB ou um pagode animado nos tornamos santos? Claro que não. Ninguém se torna santo cantando apenas músicas consideradas sagradas e falando apenas palavras eruditas. Não é nisso que está nossa santificação. Linguagem torpe é uma coisa, porém linguagem popular é outra. Música não é nem santa nem profana. Música é música. O que torna uma música (digo letra) boa ou ruim, saudável ou prejudicial é o teor dela e, ainda, em minha concepção, a motivação. Temos muitas músicas consideradas “para Deus” que são horríveis, com ênfases totalmente humanistas e de péssimo gosto (isso sem falar que, hoje em dia, a música gospel ou evangélica se tornou fonte de muito dinheiro). Pergunto-me ainda: Será que a ostentação não é mundana? As roupas chiquíssimas, os carros maravilhosos, os templos suntuosos, a manipulação e todo emaranhado que gira em torno do ambiente dito “santo” não é mundano? Ou melhor, pecado? Nisso ninguém toca. Nisso ninguém fala. Nisso, todos são uns santarrões. Ser santo não tem nada haver normas, regras e costumes. Entendo que santidade tem haver com refletir na vida o jeito de ser do Mestre Jesus. Se alguém quer ser santo, apenas busque imitar a vida do Mestre. Isso é santificação. Tomar vinho, o Mestre também tomou. Usar linguajar popular, o Mestre também usou. Cantar músicas populares, certamente o Mestre tenha cantado. Usar roupas “do mundo” o mestre também usou. A questão não é essa. A questão é se nós, como cristãos, expressamos na vida, o jeito de ser de Jesus: dócil, verdadeiro, sensato, amoroso, sábio, humilde, manso, simples e acima de tudo uma vida em consonância com a vontade do Pai. Penso que nesse patamar é que podemos afirmar santificação e não num pacote de moralismo, legalismo e isolacionismo. Precisamos entender que mundanismo e mundo são coisas totalmente diferentes. Amar as coisas do mundo é amar os valores depravados e distorcidos que conduzem as sociedades espalhadas pelo mundo afora. Ser do mundo é estar nesse lugar chamado Terra. Nesse sentido todos nós somos mundanos, porém podemos ser não mundanistas. Essa é a diferença. Bom, vou parar por aqui, pois esse assunto é tema para um livro. Eu gosto de boa música, cerveja gelada, chamo meu amados de “chegados”, uso calça jeans azul e desbotada e não me considero um mundanista. Do mundo sim, mundanista às vezes, infelizmente (quando sou vencido pela pressão que me assola todos os dias). Porém, busco ser santo.

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